Descrição
O artigo se propõe a pensar a crítica jornalística como espaço de mediação a partir da experiência de Herbert Caro, que assinou a coluna Os melhores discos clássicos durante mais de vinte anos, entre as décadas de 1960 e 1970, no Correio do Povo, principal jornal do Rio Grande do Sul à época. Considerando que o jornalismo tem a função mediadora de aproximar do leitor os campos especializados e que a crítica é um espaço fértil neste sentido, utilizou-se a análise de conteúdo para problematizar a coluna, identificando os conteúdos mobilizados pelo colunista para afiançar e preparar a escuta dos discos clássicos e as estratégias cronísticas usadas no processo de aproximação da música de concerto do leitor leigo. Para fazer com que a sonoridade erudita descesse da torre de marfim, Caro enquadrou suas narrativas em consensos estabelecidos pela comunidade de leitores imaginados. No seu propósito de formar o gosto musical do público, afirmou simultaneamente a legitimidade tanto do universo formal como do informal.